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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Pelos palcos do ENART


Ginásio Poliesportivo ENART 2012

Clarissa Moura
bahstidores@yahoo.com.br

Os concursos amadores, como o ENART, têm um papelo importante no “sistema” de divulgação da música regional. São nos palcos como do Enart, que muitas obras apresentadas nos festivaiis ganham vida. Neste tablado mágico os personagens e as histórias criadas nas músicas, saem das páginas escritas e dos CDs gravados, para se tornarem os grandes “astros” desse espetáculo chamado Enart.

Coreógrafos inspiram-se em clássicos dos festivais para elaborarem coreografias de entrada, saída e entre danças. Os intérpretes solistas vocais, buscam em seus ídolos a inspiração e nos discos dos festivais o repertório.

Mas não são apenas as invernadas e os intérpretes que contribuem para que estas composições ganhem vida, o fole das gaitas, as cordas dos violões e bandonions, nas demais modalidades individuais, também utilizam deste tom “festivaleiro” para suas performaces em palco. Já os declamadores, traduzem em gestos e sentimentos as emoções que os poetas, escrevem e transcrevem nos versos participantes e premiados nos festivais.

Você já parou para pensar que pelos palcos do ENART já passaram, nomes que atualmente são muito conhecidos no cenário dos festivais de música regional. Segundo depoimento de alguns deles, o ENART acaba sendo, não só um palco ou concurso de amadores, mas também uma vitrine, para futuros artistas da música regional.

Confira os depoimentos de alguns músicos, hoje ativos nos Festivais, que já passaram, ou ainda estão nos palcos do ENART:

Alessandro Mattos
Aninha Pires
Bianca Bérgamo
César Oliveira
Chico Saga
Ita Cunha
Juliano Moreno
Leandro Berlesi
Marcelo Oliveira
Mário Tressoldi
Maurício Marques
Raineri Spohr
Rodrigo Madrid
Rogério Melo

Encontro de Artes e Tradição Gaúcha – ENART, é a vitrine e o “palco da vida” para muitos, ali é onde se tem o contato com os primeiros desafios, adquiri-se força, conhecimento e reconhecimento, para quem sabe no futuro, alçar vôos mais altos, e um dia estes participantes tornarem-se também artistas da música regional gaúcha.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Ele passou pelos palcos do ENART - Rodrigo Madrid


Por Rodrigo Madrid

A relação que vejo entre os festivais e o ENART são grandes pois a grande maioria dos cantores e instrumentistas que hoje cantam em festivais se lançaram ou concorreram no ENART em modalidades de canto e instrumental ou até mesmo em musicais das invernadas... assim como eu.

A minha trajetória musical começou nos CTGs, tocando nos musicais ou concursos de intérprete vocal, a partir daí surgiram festivais amigos histórias... iniciei no CTG Negrinho do Pastoreio de Pelotas... meu primeiro festival foi pelo Cante e encante seu CTG do MTG... agora depois toquei em alguns festivais renomados como Musicanto, Estância, Vigília, entre outros...

Ela passou pelos palcos do ENART - Aninha Pires

Por Aninha Pires

Venho de uma família que aprecia muito a música, em especial a nativista, e desde que me conheço por gente freqüento CTG’s, participando dos eventos, invernadas e inclusive de concursos de prendas chegando a ser prenda mirim da 6ªRT. Declamava, tocava um pouco de violão e até “arranhava” algumas marcas na gaita pianada ou botoneira, mas não levei isso adiante, apenas me dediquei à interpretação vocal.

No final dos anos noventa, comecei a participar de rodeios artísticos como intérprete solista vocal, chegando a participar da última edição do antigo FEGART, já em Santa Cruz do Sul, e de mais dois ENART’S nesta bela cidade pela qual guardo muito carinho. 
Lembro como se fosse hoje do nervosismo de pisar no palco dos “solistas vocais” e percebo que isto não acontecia só comigo pois recordo de nomes que hoje são destaque na música nativista e que transpareciam a mesma ansiedade em demonstrar aos jurados o que tinham de melhor. De fato no ENART nasceram e nascem nomes importantes do nativismo como Rogério Melo e o gaiteiro Luciano Maia, que são desta época que relato. 

Toda essa aprendizagem que tive, vinda das “escolas- CTG’s” hoje busco levar aos palcos, desde a indumentária, a seriedade com o meu trabalho e a escolha certa do repertório que visa valorizar e divulgar nossos usos e costumes. Por isso vejo que este evento teve, sim, muita importância na minha formação como intérprete e posso afirmar que isso ocorreu com a maioria dos músicos e cantores nativistas.

Por conseqüência, é muito forte a ligação entre o ENART e os Festivais Nativistas não somente pelo fato de os músicos dos nossos festivais terem passado pelas diversas modalidades do evento . Quando selecionava os temas para interpretá-los na modalidade intérprete solista vocal, eu “revirava os bolachões” de Califórnias, Jerras, Terra & Cor, Círio, entre outros festivais, para buscar temas para defender, era nos festivais que buscava a aguada, a inspiração em seus intérpretes. Desde então já tinha a certeza de que um dia eu queria pisar em um palco de festival.

Há pouco tempo, retornei a linda Santa Cruz do Sul para apreciar o evento e tive a grata surpresa de ver novas intérpretes defendendo temas de minha autoria ou que estão gravados na minha voz. Naquele instante passou em minha memória todo o caminho trilhado e percebi que não há reconhecimento e emoção maior. Por tudo isso sou muito grata a aprendizagem que tive junto ao Movimento Tradicionalista Gaúcho e posso afirmar que o ENART é o grande berço dos Festivais.

Ele também está nos palcos do ENART - Mário Tressoldi

Por Mário Tressoldi

Comecei minha vida artística dentro dos ctgs, aprendi muito com esta trajetória. Fui campeão do concurso de violão do FEGART de 1997, e depois avaliei os musicais de invernadas por 3 anos ( fui um dos que gravaram o CD MTG danças Hinos e Costados, cd que até hoje é usado como base para os grupos de danças). 3 vezes melhor musical de invernada, toquei para praticamente todos os grupos da 23ª RT, obtendo terceiro lugar no ENART com os CTGs Potreiro Grande e Estância da Serra.

Claro que existe relação entre os Festivais e o ENART, pois a maioria das músicas feitas para os festivais, não entram no esquecimento de um cd nas prateleiras das prefeituras organizadoras dos festivais porque os grupos de danças levam as músicas ao grande público através de suas apresentações artísticas. No meu caso aconteceu o contrário, eu e o Chico Saga fazíamos música para os grupos de danças e começamos a colocar essas composições no meio dos festivais...





Ele também está nos palcos do ENART - Leandro Berlesi

Por Leandro Berlesi

Comecei no musical do CTG GILDO DE FREITAS em 1998, e lá estou até hoje. Chegando lá, logo reunimos uma gurizada da invernada juvenil, que estavam muito empolgados em aprender tocar violão, executando músicas do Luiz Marenco, que era, e é ainda uma grande referência para todos nós. Criamos um grupo que no início chamou FILOSOFIA DE ANDEJO. Com uma música minha, “PÊLO E FLOR”, entramos no primeiro festival em 2000, a RECULUTA DE GUAÍBA. Seguimos tocando, nos principais palcos do tradicionalismo , com o apoio de amigos do MTG, como Rogério Bastos e Manoelito Savariz. Então , já no segundo festival estávamos na CALIFÓRNIA DE URUGUAIANA, com a música “BEIRA D’ESTRADA”, que acabou batizando o grupo encima do palco. Deixamos de ser FILOSOFIA DE ANDEJO, agora éramos BEIRA D’ESTRADA.

Há uma grande relação sim, entre Festivais e ENART. Apesar das regras e objetivos serem bem diferentes, temos um elemento comum entre eles, que é o regionalismo. A necessidade de cantar e enaltecer as coisas da nossa terra, arte, história , mitos, questões sociais ,etc. 

O valor musical tem uma presença muito forte , quando , num primeiro momento, os artistas iniciam sua trajetória e o contato com o grande público, no ENART. Aquela competição, a expectativa por uma boa apresentação e um bom resultado. A oportunidade de interpretar grandes clássicos dos festivais. E agora , com maior frequência, apresentar músicas próprias, que se multiplicam a cada ano do evento.

Hoje tenho um trabalho solo e também com o grupo “BUENA PARCERIA” ( um bordão do ENART, que quase tornou-se meu sobrenome) de shows, bailes e festivais; Apresento o programa HERANÇAS DO SUL PELO SBT/RS todos os domingos; E como base para tudo isso, muito mais do que paralelamente , toco para mais de 40 grupos de danças tradicionais pelo Brasil. 

Essa é uma parte da minha história no ENART. A história do “Alemão do Gildo”! Um baita abraço!

Ele passou pelos palcos do ENART - Juliano Moreno

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Por Juliano Moreno

O Enart é uma fase da vida onde se aprende muito. Ao mesmo tempo, não se pode participar somente do Enart, é necessário que se pise em outros palcos alçando voos mais altos.

Na época de guri eu participei de poucos rodeios ou festivais amadores...lembro já da gauderiada mirim e os festivais amadores da minha cidade como penca da musica, ovino e vinho, rodeio cultural. Nas invernadas onde atuei, tive muito aprendizado. Por mais de 9 anos no CTG Presilha do Pago de Livramento, onde conquistei o primeiro lugar na modalidade musical de invernadas e também atuei em uma final do Enart com o DTG Clube Juventude de Alegrete.

Hoje, sou atuante dos festivais nativistas, mas acompanho de perto as movimentações do Enart por ter forte ligação com a entidade que toquei por anos, a curiosidade é que hoje meu pai é patrão e também cantor da invernada. Este ano não vou ao Enart por estar em dois festivais mas a família vai estar representada por minha esposa que é declamadora. As pessoas não devem fazer do Enart apenas uma paixão. Nota-se que as pessoas valorizam demais a disputa. Penso que por isso me afastei. O folclore do nosso estado é muito rico pra comportar este tipo de pensamento. Vencer não é tudo! Fazer um bom trabalho acarretará em belo resultado para a cultura do Rio Grande. Bom Enart a todos.

Ele passou pelos palcos do ENART - Marcelo Oliveira

Por Marcelo Oliveira

Bueno, nos festivais iniciei em 98 e participo ativamente até os dias de hoje, comecei minha vida dentro dos CTGs no ano de 1985 no CTG Piazito Carreteiro que ficava nos fundos da casa dos meus avós, depois passei pelo CTG Tiarayú de Porto Alegre e terminei minhas participações nos CTGs no  Aldeia dos Anjos, CTG este dez vezes campeão do estado na modalidade danças tradicionais adulto! Considero esta minha criação dentro dos centros de tradição a base de toda a minha vida, tanto na minha personalidade quanto na minha disciplina como cantor do rio grande! Devo tudo com certeza ao meio sadio vivido nos CTGs do estado!

Vejo, relação entre os festivais e o Enart, com certeza os festivais são o grande espelho dos interpretes amadores que participam do Enart, eu participei por dois anos cantando e sempre procurava meu repertório de músicas nos festivais, e acredito também que o palco do Enart seja a grande preparação para os artistas que se destacam a iniciar nos festivais profissionais!

Ele passou pelos palcos do ENART - César Oliveira

Por César Oliveira

Primeiramente participava numa época anterior, no FEGARTE, antecessor do ENART, num tempo em que apenas haviam rodeios ou convites para nos apresentarmos.  Éramos um grupo de amigos que até hoje mantém contato, eu tocava e o Rogério dançava, acreditem! Quando surgiu o modelo atual (ENART) eu já estava praticamente adentrando nos festivais.

Comecei tocando violão, nem cantava, na primeira fase, anterior aos concursos, no CTG Tarumã. Depois participei do CTG Caiboaté, mas apenas de uma edição, já em Santa Cruz. Fui até vencedor do Concurso de Viola, na primeira edição da modalidade, mas cabe frisar que eu era o único concorrente... e ainda me descontaram pontos... Que barbaridade!

No meu ponto de vista, ENART e Festivais, são extremamente distintos, um retrata o movimento cultural do Rio Grande do Sul em todas as suas manifestações folclóricas, observando os seus devidos padrões e valores que devem ter sua continuidade garantida. Já os Festivas possuem uma evolução diferente e, de certa forma, conforme os anos passam a tendência é de muita coisa mudar: instrumentalização, tecnologia, arranjos, porém, nunca devemos esquecer de evoluir sem perder a essência.

Ele passou pelos palcos do ENART - Rogério Melo

Por Rogério Melo

Bueno, eu participei minha vida inteira de invernadas artísticas, desde a invernada dente de leite até a invernada adulta, sempre dançando e, posteriormente, cantando!

Cantei a maior parte do tempo no CTG Caiboaté, de São Gabriel, no qual fui criado, mas também cantei para o CTG Tarumã, também de São Gabriel, para o CTG Campo Aberto, da cidade de Bagé, isso mais ou menos entre 1996 e 2000! Com o CTG Caiboaté  conquistamos o 3º lugar com a invernada e o nosso conjunto vocal ficou em 1º por dois anos seguidos!! Upapapa!! Época boa!!!
 
Eu acho que a relação entre os festivais e o Enart é cultural, digo, ambos estão em atividade em defesa do que é nosso. Claro que é bom lembrar que não são todos os festivais que tem uma preocupação em manter uma certa linha definida e identificada com o Rio Grande e nossas tradições "musicais", composições e etc... Já o Enart tem toda a história da dança e todas as outras modalidades que são fundamentais para a manutenção e renovação dos nossos talentos artísticos!!

Ele passou pelos palcos do ENART - Chico Saga

Por Chico Saga

Comecei na época do FEGART,tocando e incentivando intérpretes a participarem dos concursos de interprete vocal. nessa época descobri e incentivei grandes interpretes que acabaram se consagrando nessa modalidade nesse evento, seguindo assim com esse incentivo aos cenários dos festivais. durante esse trajeto,trabalhei com vários grupos de dança de minha região e de outras.nessa época comecei a compor e participar dos grandes festivais incentivado também por ter participado pela primeira vez de um grande festival como compositor no PRIMEIRO ESTEIO DA CANÇÃO com a musica: ÚLTIMO SONHO XIRÚ que foi premiada com 1º lugar e melhor interprete(A emoção de estar em um evento assim pela primeira vez conseguindo assim o reconhecimento de uma comissão julgadora composta por grandes nomes como Telmo de Lima Freitas, Pioneiro dos grandes festivais e um dos maiores ícones de nossa cultura a quem eu já era fã incondicional,é indescritível...) Destacando, conheço incontáveis e grandes artistas dos festivais que partiram desse incentivo pra estarem onde estão hoje.

Ele passou pelos palcos do ENART - Raineri Spohr

Por Raineri Spohr

Comecei em 94 nos festivais das escolas em Dom Pedrito, minha terra natal. Em 95 comecei a tocar e cantar para invernadas, ali que escutei falarem sobre Fegart, mas só no ano seguinte comecei cantar em rodeios e festivais amadores. Em 98 cantei em meu primeiro festival e desde de então atuante. 

O ENART e os Festivais acabam sendo bem diferente, mas a proposta de cantar a cultura são iguais. Enart é como dizem (é cancha, aprendizado, palco) Ali tu aprende conhecer um pouco da cultura ( música,dança, tudo que a história retrata) é bem melhor do que ficar caminhando por aí na rua , entonces peguem um livro... Já festivais de música inédita tu produz a sua musica, canta a musica de um parceiro, tem contato mais próximo com o artista que tu gosta, aprende a conhecer a busca de um povo por uma causa melhor.

Acho tudo válido pela cultura seja atuada como for. Nossos mestres merecem respeito e admiração. 
 


 

Ela passou pelos palcos do ENART - Bianca Bérgamo

Por Bianca Bérgamo

Revirando as tralhas lembrei que minha primeira participação foi ainda no FEGART.

Em 1998 participei pela primeira vez integrando um MUSICAL DE INVERNADA, cantando para o Grupo de Danças ALDEIA DO FANDANGO do CTG Tropeiros da Lealdade de Cachoeira do Sul.

Estive lá novamente em 1999 e 2000 nas modalidades de DECLAMAÇÃO E INTÉRPRETE SOLISTA VOCAL.

Após um tempo afastada, retornei em 2007 disputando a final de DECLAMAÇÃO onde um fato tragicômico aconteceu. Minha impressora estragou e sem tempo hábil, não consegui buscar outro lugar para imprimir, resumindo... Fui desclassificada por ter levado cópias das poesias escritas a mão. Hoje dou risada do fato, mas na época foi deprimente.

Em 2008 passei então a participar dos Festivais como autora...

Em 2009 experimentei uma sensação única...

Ao ir apenas assistir a Declamação e me deparar com concorrentes interpretando SOB A LUZ DO ENTARDECER, EU NÃO QUERIA TE AMAR e PRA ONDE FORAM AS BORBOLETAS?! .
Foi um ano de renovação.

Hoje em dia não concorro mais, no entanto é muito bom saber que mesmo que eu não esteja fisicamente presente, meus versos estão lá, mantendo firmes esses laços de carinho que tenho pelo lugar onde dei meus primeiros passos...

A relação que vejo entre ENART e Festivais, é que o ENART é uma das maiores escolas preparatórias da Arte profissional nos dias de hoje.
Temos inúmeros cantores e declamadores que tiveram o início de suas trajetórias artísticas nos CTGs, participando de rodeios e consecutivamente concorrendo no ENART. A pressão que são acostumados a sofrer o ano inteiro durante as peneiras, fazem com que criem uma rotina quase que exaustiva de preparação, o que carregam depois em sua bagagem quando partem para os palcos dos festivais.

Um grande exemplo pra mim nessa área é o nosso querido Jean Kirchoff...

Um dos cantores mais premiados como melhor intérprete e sinônimo de garantia para os autores de que sua música será bem apresentada...

Já o vi descer do palco “deprimido” e inconformado por ter trocado uma “LETRA” na música que cantou em um festival de Uruguaiana em 2011.

Essa cobrança excessiva é típica daqueles que já passaram pelas peneiras do ENART / FEGART. Não digo com isso, que os que nunca passaram por elas não desenvolvam esse perfil, mas com certeza os que já “tremeram a bombacha” (ou no nosso caso as bombachinhas) em Farroupilha ou Santa Cruz, sabem bem do que eu estou falando.

Ele passou pelos palcos do ENART - Maurício Marques

 Por Maurício Marques

Participo de festivais a mais de vinte anos.Já fui praticamente a todos e venci muitos deles em diversas categorias.Realmente não sei quantos prêmios já tive nos festivais, mas foram muitos.Desta maneira posso dizer que conheço profundamente este meio e sei também o que esperar dele.O ponto positivo dos festivais é o de ser uma escola de palco muito viva, com boa sonorização, organização e remunerado.Também é o modo de subsistência de muitos músicos.

Quanto ao ENART, participei uma vez na categoria de violão.O que posso te dizer é que de uma forma geral, não há uma seriedade no que se refere a esta área da musica, pois falta ainda muita qualificação tanto em termos de júri quanto em termos de competidores.É algo bastante amador, então creio que tenha grande valor para pessoas que gostam de tocar a nível amador, mas não tem um cunho mais aprofundado ou profissional.O que não torna invalida este tipo de concurso, apenas torna de pouca profundidade.Já tive muitos alunos que vieram do enart e resolveram estudar comigo para fazer suas competições com melhores resultados e acabaram encarando a musica de outra maneira.

Minha sugestão é que os organizadores do Enart qualificassem mais seus corpos de júri e os critérios de seleção, forçando as entidades participantes a investir em seus representantes através de aulas de musica e técnica.Só assim teríamos algo realmente forte e serio.

Não vejo uma relação direta entre os festivais e o Enart, com exceção do tema, pois sempre é a cultura do Rio Grande do Sul.Mas de qualquer forma, estes dois movimentos são antagônicos, pois um preza pela perpetuação de modelos defendidos por eles como tradicionais (o ENART< OU MTG) e o outro (OS FESTIVAIS), não tem uma obrigatoriedade de formas e estilos, usando a musica e a cultura gaucha de forma mais abrangente e livre.

Ele já passou pelos palcos do ENART - Alessandro Matos

Por Alessandro Matos

Comecei a vida artística dentro de um CTG aqui em Bagé, com dez anos. Logicamente me direcionei muito cedo aos concursos do ramo. O primeiro grande foi o antigo FEGART na cidade de Farroupilha, hoje ENART.

Ganho dinheiro tocando gaita há mais de vinte anos, grande parte destes foi dentro de CTGs participando de eventos. Conheci minha esposa dentro de um deles; visitei grande parte do RS e algumas cidades do Uruguai tocando para grupos de dança; Trabalhei com várias entidades no RS, chegando à finalíssima do ENART duas vezes, com o CTG Caiboaté de São Gabriel – onde conquistamos 3º lugar em 1999, e cinco vezes com o GTG do Clube Caixeiral de Bagé – com o qual conquistamos três premiações de melhor coreografia de entrada com a música “Ritual de morte e manada” e uma de melhor coreografia de saída na música “Seival”.

Outra experiência interessante de citar foi a de avaliar. A gente aprende muito estando do outro lado dos concursos. Avaliei uma inter-regional do ENART em São Borja-RS e duas edições do FEPART (O Enart do Paraná em 2008 e 2009.

Nesta estrada, fiz amigos que hoje são reconhecidos nos ditos “Festivais profissionais música nativista”. Dividi o palco com Rogério Melo, Giovani Vieira e Ita Cunha pelo Caiboaté; com Raineri Spohr, Jean Kirchoff, Mariane Acordi, Diego Müller, Vinícius Ribas, e mais um lote de colegas não tão conhecidos mas não menos importantes.

Hoje, apesar de ter uma empresa no ramo da música regional e latino-americana com quase dez anos e três CDs gravados, quando tenho folga na agenda, faço alguma participação. A próxima será com um grupo da cidade de Butiá-RS. Vamos participar de um evento promovido pela Confederação Internacional de Organização de Festivais Folclóricos no fim de novembro, em Fortaleza, no Ceará.

Vejo relação entre o ENART e os Festivais. Na verdade o ENART é um festival. O chamam de Festival Amador só porque não paga ajuda de custos nem prêmio em dinheiro. Em verdade é mais profissional que muitos da área da música, já que mobiliza milhares de pessoas no Estado inteiro, durante meses, trabalhando à exaustão sem a mínima perspectiva de lucro (a não ser os profissionais que vivem do certame).

Mas a relação que aproxima os dois é a de fomentação artística, apesar de terem suas peculiaridades:

O ENART, com exceção das coreografias de entrada e saída, é mais estático. Reproduz mais do que cria. Mas, por outro lado, é infinitamente mais democrático do que os Festivais de Música ditos “Profissionais”, pois estes só na teoria aceitam a participação de quem quiser, ou seja, do iniciante. Em compensação, os Festivais de Música contribuem muito para a criação musical no RS.




Ele passou pelos palcos do Enart - ITA CUNHA

Por Ita Cunha
Olá amigos! 

Obrigado pela oportunidade de falar, do meu jeito, um pouco sobre esses grandes movimentos da nossa cultura, que são de uma baita importância para a história do nosso Rio Grande, tendo uma forte ligação entre si, e que fazem parte da minha caminhada.

No ENART, além da emoção do momento, proporcionada pelo canto e pela dança, existe todo um trabalho de ensaios, onde se tiram dúvidas referentes à parte musical, como: arranjos, harmonias, conjunto, vocais (capelas e duetos), enfim, tudo que pode ser estudado dentro do propósito que um tema musical oferece.

Assim é também para apresentar uma canção no palco de um Festival Nativista, onde todo capricho é pouco e a responsabilidade é sempre muito grande. O nosso público merece sempre o melhor, então nosso objetivo é proporcionar felicidade através de um grupo de músicos profissionais bem preparados, concentrados e inspirados! É claro que não podemos esquecer da ansiedade e do frio na barriga antes de subir no palco, os quais no final de um trabalho efetuado com sucesso, se transformam em sentimento de missão cumprida. Aí é só felicidade!

Outro momento muito importante dessa vida de festivais e ENART’s, não ocorre em cima do palco. Acontece quando encontramos nossos colegas nesta mesma sintonia, respirando o mesmo som, e nos unimos nos alojamentos, barracas dos acampamentos, ou qualquer outro lugar disponível, ocupando esses espaços com muita música, prosa, contos, causos, novidades, risadas, velhas e novas canções!...  E isso é uma coisa muito linda!

Trabalhei mais de 12 anos com vários grupos de dança, músicos, instrutores, coordenadores, bailarinos, patrões e pais... Participei de muitas viagens, concursos e estradas, nos quais aprendi muitas coisas boas que vou levar na minha bagagem e que jamais irei esquecer. Esse mesmo sentimento maravilhoso eu sinto em relação aos Festivais, nos quais eu conheci muitos maestros, poetas, compositores, instrumentistas, diretores de palco, operadores de som e admiradores da nossa musica gaúcha, enfim, momentos que ficarão pra sempre gravados em minha memória!

Minha primeira jornada como integrante de um grupo musical de dança, se iniciou no CTG Querência Xucra, seguido do CTG Tarumã e do CTG Caiboaté, todos na cidade onde nasci, minha querida São Gabriel – RS.

Depois mais portas foram se abrindo, e eu tive a oportunidade de trabalhar com grupos de dança de outras cidades como: PTG Irmãos Sagrilo e Rincão do Pica Pau, de Santiago, Grupo de Danças Caami Folclore e Arte Gaúcha, de São Sepé, e assim se vai! Foram mais de 20 grupos.

Hoje atuo como cantor nativista em festivais e shows por todo nosso estado e fora dele, representando dessa forma o nosso chão! Sempre carregarei comigo a herança de tudo que aprendi durante a minha trajetória dos ENART´s e Festivais!