quinta-feira, 2 de abril de 2015

Monumento a Noel Guarany


A Confraria do Icamaquã, de Bossoroca, informa que está em pleno vigor a campanha para construção do Monumento a Noel Guarany onde o conjunto da escultura terá sete metros de altura (quatro metros da estátua, mais três metros do pedestal).

Faça parte desta história

Divulgue para sempre o nome de sua empresa ou o seu, com direito a uma placa no pedestal (R$ 500,00). Ganhe um belo certificado e seja um dos seletos.

Apoiadores Culturais

Ou seja um colaborador (R$ 50,00) e adquira um belo certificado.

Participe desta homenagem a Noel Guarany uma das maiores referências culturais do nosso Estado. Para doar ligue para 55 99765144, com Paulo Urach.

Fonte : http://www.radiosaoluiz.com/noticias/ver/cat/29/id/11914/um-simbolo-para-o-rio-grande-do-sul-monumento-a-no.html

"Fragmentos" João Gabriel Rosa

Postado por Matias Moura
bahstidores.com
“Fragmentos” é o primeiro álbum do violonista João Gabriel Rosa. O trabalho demonstra a proximidade do artista com sua música de raiz: as melodias e harmonias apresentam grande influência dos gêneros populares do sul do país, como chamamés, milongas e chacareras. Os arranjos trazem para a música ares modernos, complementando a mistura entre o tradicional e o contemporâneo.
João Gabriel Rosa instrumentista e compositor, nascido em São Joaquim iniciou seus estudos de violão aos 11 anos de idade com Vanderlei da Silva Xavier, musico popular que ensinou seus primeiros acordes e também com quem começou a subir nos palcos por primeira vez. Depois passou a aprender teoria na escola de musica Villa-Lobos com o compositor Alexandre Bueno. Participou de oficinas sobre “violão gaúcho” com Marcello Caminha, oficina sobre violão popular em Ourinhos/SP com Alessandro Penezzi  e sobre Arranjo também em Ourinhos/SP com Cristóvão Bastos.
CD Fragmentos

 Pra que isso
João Gabriel Rosa (violão)
Acalanto
João Gabriel Rosa (violão)
Renan Netto (cordeona)
João Paulo Czarnecki (piano)
Carlos Lamarque (baixo elétrico)
Rafael Floriani (percussão)
Formiga Ruiva
João Gabriel Rosa (violão)
João Paulo Czarnecki (piano)
Carlos Lamarque (baixo elétrico)
Rafael Floriani (bateria e percussão)
Participação especial:Rodrigo Velho (pandeiro)
Inhaduvá
João Gabriel Rosa (violão)
Renan Netto (cordeona)
João Paulo Czarnecki (piano)
Carlos Lamarque (baixo elétrico)
Rafael Floriani (bateria e percussão)
Pampa
João Gabriel Rosa (violão)
Renan Netto (cordeona)
Carlos Lamarque (baixo elétrico)
Rafael Floriani (percussão)
Lapso
João Gabriel Rosa (violão)
Noite Norteña
João Gabriel Rosa (violão e guitarra semi-acústica)
João Paulo Czarnecki (piano)
Carlos Lamarque (baixo elétrico)
Rafael Floriani (bateria e percussão)
Participação especial:Alexandre Bueno (clarinete)
Tanguero
João Gabriel Rosa (violão e guitarra semi-acústica)
João Paulo Czarnecki (piano)
Carlos Lamarque (baixo elétrico)
Rafael Floriani (bateria e percussão)
La Polca
João Gabriel Rosa (violão e guitarra semi-acústica)
João Paulo Czarnecki (piano e voz)
Carlos Lamarque (baixo elétrico)
Rafael Floriani (percussão)
Participação especial:Jessica Pimentel de Liz (voz)
Hasta Luego
João Gabriel Rosa (violão)
Nostalgia
João Gabriel Rosa (violão)
Renan Netto (cordeona)
Gravado nos estúdios Flor y Truco (Quinto Oliveira) e Estúdio RF (Rafael Floriani)

terça-feira, 31 de março de 2015

Volmir Coelho está trabalhando na produção do seu quarto disco .


Postado por Matias Moura

Em breve os fãs e admiradores do cantor nativista Volmir Coelho , terão a oportunidade de adquirir o seu novo disco intitulado Metade Sul , que está sendo produzido e promete chegar as melhores lojas do ramo ainda no primeiro semestre de 2015. Para o cantor é uma satisfação muito grande poder gravar o quarto disco de sua carreira ." A ideia é fazer um disco que terá musicas campeiras , mas também composições que retratem o nosso dia a dia de povoeiros , quando viemos para a cidade deixamos uma metade lá no campo , e a outra está aqui pelas ruas e avenidas " .

Cantor Lageano Arthur Mattos lança seu segundo trabalho intitulado Oração do Campo

Postado por Matias Moura
bahstidores.com

É uma graça descender de avós que batalharam para construir uma cultura forte e com suas mãos mantiveram seu chão fértil, rico no brotar do trigo, manso no florir das laranjeiras! Um nos traz o pão, outro faz do rigoroso frio do inverno no branco das geadas a doçura pro seu suco.

Gente antiga, de costumes rudes, porém sinceros que num simples olhar refletiam tudo aquilo que traziam em seu coração, gente que desgarrou de seu campo, pra ser campo e raiz em outras geografias, raiz de uma a árvore grande que ainda nos abriga e nos traz um ar antigo limpo e benéfico a alma, que carrega os anseios de antes mantidos por nós nos dias de hoje.

Assim é Oração do Campo, o mais recente trabalho de Arthur Mattos! Com a simplicidade e a rusticidade de um homem terrunho, campeiro, galponeiro, de raiz! Neste novo CD, fruto de dois anos de preparação, Arthur mostra o seu amadurecimento como arranjador, compositor e principalmente demarca seu lugar como uma das mais belas vozes da nossa música!

Repertório do CD Oração de Campo.

1-Quando o Aço da Tesoura perdeu o fio pra tosquia – L: Gujo Teixeira - M: Cristian Camargo 
2- O beijo da malacara – L: Rafael Ferreira M: Arthur Mattos e Marcelo Oliveira
3- Cismas de inverno grande – Miguel Cimirro (in memoriam) M: Cristian Camargo
4- Oração do campo – L: Alex Silveira M: Marcelo Oliveira
5- O Desenho da Flor – L: Rafael Teixeira Chiapetta M: Cristian Camargo 
6- Pelo espelho do rio – Mateus Neves da Fontoura M: Marcelo Oliveira
7- O Quero-Quero e o Açude - L: Fernando Soares,Cristian Davesac M: Juliano Gomes,Cristian Camargo e Marcelo Oliveira)
8- Colorado Braga pampa - L: Rafael Ferreira M: Arthur Mattos
9- Mais um bagual vende garras – L: Lisandro Amaral M: Cristian Camargo
10- Jeito Gaúcho – L: Cristian Davesac M: Marcelo Oliveira
11- Eu ( Meu tempo e Meu Canto) – L: Fabio Maciel M: André Teixeira e Jari Terres
12- Além da marca das tesouras – L: Mateus Neves da Fontoura M: Marcelo Oliveira
13- Refrão do Clarear do Dia – L e M: Fabiano Bacchieri
14- Sobre cavalos e ventos - L: Gujo Teixeira M: Cristian Camargo
15- Feito uma trança – L: Sergio Sodré Pereira M: Marcelo Oliveira

Arthut Mattos é participante ativo dos festivais nativista do Rio Grande do Sul e Santa Catarina , tem sido premiado em muitos deles como melhor interprete.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

De estradear nas Pedras



Por Matias Moura
Bahstidores

O cantor e compositor Alex Har Oliveira , é uma das novas revelações nos palcos dos festivais nativistas do estado , tendo participado de um número muito expressivo de eventos, destaque para as participações no festival de fronteira Um Canto para Martin Fierro , Ponche Verde da Canção Gaúcha , Levante da Canção Gaúcha , Sapecada da Canção Nativa , Estância da Canção Gaúcha ,Canto Missioneiro , Canto de Luz entre outros . 
Natural de Santana do Livramento,  começou a cantar desde cedo  ,mas foi em 2007 com o incentivo dos amigos que ingressou nos festivais de música e de lá  para cá conquistou inúmeros prêmios como melhor interprete e compositor . Além de cantor Alex Har é radialista formado, e apresenta aos sábados e domingos , das 6h as 8h , em parceria com Claudio Silveira o programa Estampa do Meu Pago na Rádio Cultura AM , com uma programação voltada para a produção musical dos festivais nativistas  .

De Estradear nas Pedras


Recentemente o cantor esteve participando das gravações de um Clip  da música de “Estradear nas Pedras” que faz parte do álbum “Bagualles” Um canto de amor a terra de Juan Daniel Isernhagen que reúne grandes nomes do cenário musical nativista.

A composição é de autoria de Juan Daniel Isernhagen juntamente com Alex Har e Frederico Melo e participou do 15º Querência do bugio de São Francisco de Assis no ano de 2013 . A letra da música inspirou os artistas que tiveram a idéia de transforma-la em um vídeo clip que ganhou vida pelas lentes de Leonardo Gadea (Gadea produções), Erick Corrêa e Rafael Caggiani  .

Para Alex Har ,  a realização do projeto é uma grande felicidade pelo fato dele  poder cantar a sua terra em poema e melodia .“ Cantar a terra, nossa essência, nosso território de fronteira sem limitações , essas ideais ganham magnitude através do esteio dos profissionais que nos acompanham nesta empreitada , agradeço a todos eles” comenta o cantor

  As captações ocorreram na localidade do Passo da Tafona, 4º Distrito de Santana do Livramento , na propriedade de René Dutra Ecoten , que inclusive cedeu gentilmente um cavalo e os arreios para gravação das cenas de campo . O vídeo clip está em fase de pós produção e edição e será um trabalho que com certeza vai ser motivo de orgulho para os Santanenses pois o vídeo será divulgado para o mundo na internet , mostrando um pouco das belas paisagens desta fronteira bem como um jovem cantor que já conquistou seu espaço no nativismo gaúcho .  


Shana Müller: "Tem me cansado o uso do tal gentílico gaudério"


A colunista escreve mensalmente no Segundo Caderno da Zero Hora

Preciso confessar: já me tem cansado o uso do tal gentílico gaudério. Não é a primeira vez que expresso meu descontentamento com rótulos ao se tratar de arte e principalmente de música. Rótulo, para mim, tem que estar em produto alimentício, remédio, detergente de louça... Rótulo serve para prevenir, informar, esclarecer. Música precisa de emoção e de liberdade para sentir.

Há poucos dias, reli um texto em que o escritor Tabajara Ruas, com muita propriedade, falava sobre o talento e a obra de Jayme Caetano Braun. Quem não conheceu o pajador enquanto vivo, sua genialidade do improviso, pode ainda deleitar-se com os registros de seus versos em décima tratando desde temas políticos e questões sociais, passando pelo amor pela "china". E, sim, descrevendo um Rio Grande romântico de galpões e fogo de chão que só quem ama sua querência, suas raízes, pode escrever. (Assim fez também Jorge Amado – e isso não é uma comparação – ao falar do mar e das paisagens da sua Bahia). Jayme foi um poeta gaudério. E só isso?

Para quem se dedica à arte e tem como tema o Rio Grande do Sul, cumprir tal tarefa não é nada fácil. Muitas vezes, a gente se encontra numa espécie de buraco negro: o que eu canto não é música brasileira, o mercado artístico no qual trabalho está restrito à região sul, pois fora daqui "não entendem o que eu canto". E aí a gente canta no Rio Grande do Sul, e muitos dos gaúchos não conhecem os artistas que aqui trabalham e justificam tal "ignorância" com a frase: "Ah, eu não participo de CTG ou não participo desse mundo gaudério".

Fico intrigada com o fato de ser artista de um Estado que não tem bem certeza de qual é sua própria regionalidade; que a subdivide, que não a conhece, que não a reconhece. É mais fácil ficar nesse lugar de "Ah, eu não sei, não conheço", sentar na frente da TV e criticar o programa que recebe gente do samba, do sertanejo, do funk.

Você se sente ofendido? Você se sente excluído? Acha que aquela cultura não o representa? Então está na hora de descobrir com o que você se identifica, sair da zona de conforto, informar-se. Sentar na frente da TV com o controle na mão e só mudar de canal não será suficiente. Você pode descobrir, aprender, respeitar.

E entender que música é música e que tem gente a seu lado cantando coisas com as quais você pode se identificar e pasme: se emocionar!

sábado, 31 de janeiro de 2015

Dia do Pajador Gaúcho 30 de Janeiro : Há 91 anos nascia Jayme Caetano Braun


Jayme Caetano Braun


Postado por Matias Moura

Sua obra é considerada como uma referência na poesia regional gaúcha , seus poemas carregados de telurismo ,  retratando fielmente a gente do seu lugar , tendo a paisagem missioneira como inspiração para seus poemas sempre bem rimados na sua forma única de montar pajadas ao melhor estilo pampeano de fazer poesia . Pajador dos pajadores , abriu caminhos pela América latina por onde andejou juntando rimas com poetas argentinos e uruguaios ao pé dos fogões crioulos . Um mestre na sua arte , todos os conhecedores e admiradores de sua obra classificam Jayme como um poeta único que pisou por estas plagas sulinas e cumpriu com seu tempo  sendo um dos responsáveis pela preservação e divulgação da nossa poesia oral pampeana .   





Vida e Obra

Fonte Vinícius Ribeiro - http://viniciusribeiroescultor.blogspot.com.br

Poeta, tradicionalista, declamador e payador.

Símbolo maior da poesia gauchesca; especializou-se em décimas (poemas com estrofes de 10 versos).
Em seus versos retratou, com conhecimento de causa, os hábitos costumes e vicissitudes do homem campeiro do sul do Brasil.
O peão de estância, o gaúcho andarilho, o índio missioneiro e muitas outras figuras regionais ganharam vida em seus poemas.
A formação dos Sete Povos das Missões, a epopeia farroupilha, foram alguns dos seus muitos temas.
Eterno filósofo galponeiro, em suas reflexões, buscou as respostas da existência na visão do homem simples.
Sua temática ia da raiz às estrelas, sendo ao mesmo tempo regional e universal; seus versos mescla de história, costumes e atualidades, exaltaram a vida do homem excluído, pobre e oprimido.
Deixou sua obra imortalizada em vários livros e discos. Sendo considerado pelo meto tradicionalista, como referência gauchesca da essência rio-grandense.

Biografia

Livros: - Galpão de Estância (1954)
- De Fogão em Fogão (1958)
- Potreiro de Guaxos (1965)
- Bota De Garrão (1966)
- Brasil Grande do Sul (1966)
- Paisagens Perdidas (1966)
- Vocabulário Pampeano – Pátria, Fogões e Legendas (1987)
- Payador e Troveiro (1990)
- Antologia Poética: 50 anos de poesia (1996)
- Payada Cantares(2003)(obs:Resgate do acervo de Jayme)

Discos

- Payador – pampa e guitarra de Noel Guarany (convidado especial) (1974)
- Payadas (1984)
- A volta do payador (1984)
- Troncos Missioneiros (juntamente com Noel Guarany, Cenair Maicá e Pedro Ortaça) (1987)
- Poemas Gaúchos (1993)
- Payadas (1993)
- Paisagens Perdidas (1994)
- Jayme Caetano Braun (1996)
- Acervo Gaúcho (1998)
- Êxitos 1 (1999)
- Payada, Memória & Tempo (2006)(obs:Resgate do acervo de Jayme)
- Payada, Memória & Tempo Vol. 2 (2008)(obs:Resgate do acervo de Jayme)
- A Volta do Farrapo (2008)(obs:Resgate do acervo de Jayme)

Histórico

Nome completo: Jayme Guilherme Caetano Braun

Nome mãe: Euclides Ramos Caetano Braun

Nome pai: João Aloysio Thiesen Braun

Avós maternos: Aníbal Antônio Souza Caetano e Florinda Ramos Caetano

Avós paternos: Jacob Braun e Guilhermina Thiesen Braun

Nascido em 30 de Janeiro de 1924 às 8:30 na fazenda Santa Catarina de seu avô materno (Aníbal Caetano) na localidade da Timbaúva (Na época 3° Distrito de São Luiz Gonzaga) hoje município de Bossoroca.

Irmãos: Maria Florinda, Terezinha, Judite, Zélia e Pedro Canísio. (Jayme foi o 2° filho do casal Braun)
Pais

Era filho do casal João Aloysio Thiesen Braun e Euclides Ramos Caetano.
Seu pai era filho de imigrantes alemães, professor e diretor do colégio elementar Pinheiro Machado; respeitado nas comunidades por onde passou (foi delegado de educação nas cidades de Santa Cruz e Passo Fundo).
Sua mãe era filha de família tradicional pecuarista, da localidade chamada Timbaúva (Antigo 3° Distrito de São Luiz Gonzaga, hoje município de Bossoroca).
Sobre seu pai, Jayme descreve a grande admiração que sentia por ele na emocionante poesia “Oferta” (Livro: De Fogão em Fogão).
De sua mãe, precisamente, herdou a veia poética; sua avó maternaFlorinda Ramos Caetano, irmã do poeta e coronel revolucionário Laurindo Ramos, dominava o verso de improviso e recitava seus poemas no ambiente familiar criando forte estrutura poética que Jayme veio a conviver e herdar mais tarde.

Nascimento

O casal João Aloysio e Euclides, após casarem em São Luiz no ano de 1920, passaram a residir na Avenida Senador Pinheiro Machado n° 1934 em frente à antiga Praça da Lagoa (Atual Praça Cícero Cavalheiro) no endereço onde existe hoje a Casa da Alface, na época propriedade do avô materno de Jayme, sr. Anibal Caetano.
Em Janeiro de 1924 o casal Braun, como de costume, foi passar as férias escolares na Timbaúva, na fazenda Santa Catarina de propriedade do avô Sr. Aníbal Caetano.
Nesta feita havia um motivo maior para a ida até a localidade da Timbaúva...
Dona Euclides Ramos Braun, grávida, confiava muito na parteira daquela localidade: Dona Antônia.
Meu avô paterno Anajande Ramos Ribeiro(primo-irmão de Dona Euclides) foi quem chamou as pressas a parteira.
Em 30 de janeiro de 1924 num quarto junto a sala veio ao mundo, por intermédio de Dona Antônia, o Poeta Maior: Jayme Caetano Braun.
Permanecendo na fazenda durante todo o período de resguardo até o retorno de sua mãe para a casa em São Luiz.
Poucos dias após seu nascimento, Jayme foi registrado no posto designado em Bossoroca (na época 3° Distrito de São Luiz Gonzaga) onde consta como declarante o Senhor Anajande Ramos Ribeiro e que o casal Braun estava a passeio no Distrito. N° do registro de nascimento: n° A-6; folha n° 16, n° ordem 21; data 07/02/1924.

Infância
Cresceu o menino nas imediações da velha Praça da Lagoa.
A missioneira São Luiz Gonzaga com sua riqueza histórica aos poucos ia sendo descoberta pelo olhar atento do pequeno poeta.
Desde tenra idade conviveu com a vida rural nas fazendas e esse convívio (que procurou manter por toda a vida) foi armazenando na alma do payador, o riquíssimo conteúdo emotivo que serviu de espinha dorsal para suas poesias.

Adolescência
A família Braun, devido à transferência de Sr. João Aloysio, mudou-se para Cruz Alta em 1938 onde foi diretor de escola.
Em 1939 foram para Santa Cruz do Sul, com o Senhor Braun sendo delegado de ensino.
De 1940 até 1942, seu pai assumiu cargo de delegado de ensino em Passo Fundo.
Retornaram para Cruz Alta, lá seu pai se aposentou e faleceu.
Após a morte de seu pai a família passou a residir em Porto Alegre, Jayme retornou às Missões, vindo a morar na fazenda Santa Terezinha (Timbaúva) de propriedade de seu tio materno Danton Victorino Ramos, a quem considerava como seu segundo pai.
Ficou lá até se casar.

Casamento
Casou-se com Nilda Aquino Jardim, filha de Rivadavia Romeiro Jardim e Faustina Aquino Jardim, no dia 20 de dezembro de 1947.
Passou a morar na fazenda Piraju de propriedade de seu sogro, permanecendo lá pouco mais de um ano. Devido a seu temperamento forte e determinado, teve desentendimento com o capataz com relação as lidas da fazenda.
Saiu da fazenda para morar perto dali, na Serrinha (Vila Distrito de São Luiz Gonzaga) naquela localidade abriu um autêntico bolicho de campanha (com ajuda financeira do sogro e de seu tio Danton Ramos) onde ocorriam rodadas de poesia e música até tarde da noite; a sua casa era nos fundos do bolicho.
Essas importantes informações recebi do Sr. Ataliba dos Santos filho do capataz e que foi morar com Jayme e D. Nilda ajudando no bolicho.
Sobre essas tertúlias contou o Sr. Ataliba(que na época era rapazote): “O Jayme quando inspirado ficava, às vezes, olhando para um palito de fósforo entre os dedos (com som de violão sendo dedilhado ao fundo) e as payadas brotavam magicamente”.
Permaneceu “bolicheando” por quase dois anos, depois passou a residir na cidade (São Luiz) na Rua Marechal Floriano (fundos hospital de caridade) ali nasceram seus dois filhos: Marco Antonio Jardim Braun e José Raymundo Jardim Braun.

Vida profissional e política


Após sua experiência como bolicheiro, começou a participar de campanhas políticas (daqueles ao qual ele admirava) como payador(final da década de 40).
Seu poema “O Petiço de São Borja” referente a Getúlio Vargas foi publicado na época em revistas e jornais do país.
Participou na campanha de seu tio materno Ruy Ramos com o poema “O Mouro do Alegrete”.
Nos anos seguintes participou nas campanhas de Leonel Brizola, João Goulart e Egídio Michaelsen.
Na campanha de Ruy Ramos a deputado federal, apresentava um programa radiofônico na radio São Luiz; contratado pelo seu outro tio Danton Ramos, para divulgar a candidatura de Ruy. Devido ao sucesso, obtido em grande parte pelos seus versos de improviso, o programa teve continuidade.
Em 1948 iniciou o programa, na mesma radio, chamado “Galpão de Estância” (existente até os dias atuais, atualmente a cargo de Alcides Figueiredo) juntamente com Dangremon Flores e Darci Fagundes. Deste nome veio a surgir mais tarde o 1° CTG em São Luiz Gonzaga chamado CTG Galpão de Estância. Seu tio materno Nico Caetano foi o primeiro patrão.

A convite de seu tio Ruy Ramos foi para Porto Alegre. Passou a ser funcionário do IPASE (Instituto de Pensões e aposentadoria dos Servidores do Estado, órgão federal) era auxiliar de farmácia, depois passou a ser auxiliar da tesouraria, por um período foi diretor da Biblioteca do estado RS de 1959 a 1963(convite do amigo e então governador Leonel Brizola) após retornou a tesouraria e mais tarde passou para o IAPAS como fiscal da pevidencia onde ficou até se aposentar.

Incentivado e apoiado por Ruy Ramos concorreu a deputado estadual peloPTB no ano de 1962, não alcançando votação suficiente.
Esta passagem política trouxeram mágoas que o acompanharam por muito tempo (vide poema "Bilhete a João Vargas" inserido nas fotos).

Em 1973 inicia no programa semanal Brasil Grande do Sul, na Radio Guaíba, durante 15 anos. Com muito sucesso.

Os direitos autorais de seus vários livros e discos serviram como complemento de renda, pois o poeta, como muitos que trabalham com a arte, enriqueceram mais a alma do que os bolsos.

Segundo Casamento

Separou-se de sua 1° esposa Sra. Nilda Jardim em 11/07/88 divorciando-se em 26/06/95.
Casou-se com Sra. Aurora de Souza Ramos (Bréa) em 1° de setembro de 1995 na cidade de Porto Alegre. Teve um enteado: Marcelo Bianchi; da união com Aurora Ramos nasceu seu filho: Cristiano Ramos Braun.

Saúde

A sua saúde foi abalada em muitas situações: quatro pontes de safena, angústias, desilusões e fortes depressões.
Várias situações no decorrer de sua emotiva existência colaboraram para o surgimento de seus problemas de saúde:
No início, quando nas suas primeiras poesias, foi o desestímulo (por parte de alguns) um adversário forte de ser superado.
Com o passar do tempo superou o pouco caso que faziam de sua obra, assim como as críticas "acadêmicas" que recebeu pelo seu estilo nativo;
Outro fator foi a decepção no pleito da candidatura a deputado estadual em 1959 quando sua mensagem não foi compreendida pelo seu próprio povo; sobre esse fato, ele mesmo diz na poesia feita ao seu grande amigo João Vargas do Alegrete de título Bilhete ao João Vargas do Alegrete.
Abaixo trecho dela:

“Bilhete ao João Vargas"
...Fiz o que o gaúcho faz,
Sem admitir pretexto
E fui – como gato a cabresto,
“Só nas patinhas de trás”,
Tu sabes – na santa paz
Que o gaúcho não morreu,
Mas na terra onde nasceu
-Até periga a verdade,
Quando eu gritei: Liberdade!
Só o eco me respondeu... ”

E por fim, talvez o que mais tenha despedaçado o coração do poeta tenha sido a dor pela perda de seu filho primogênito, Marco Antonio aos 30 e poucos anos de idade por abalos no sistema nervoso.

Morte
Faleceu no dia 8 de julho de 1999 às 5 horas e 30 minutos, aos 75 anos de idade, na clínica São José em Porto Alegre, vítima de complicações cardiovasculares. O corpo foi velado às 17 horas no Salão Nobre Negrinho do Pastoreio, no Palácio Piratini, sede do governo estadual gaúcho; foi enterrado no cemitério João XXIII em Porto Alegre.

Curiosidades
(algumas, retiradas dos jornais que prestaram homenagens no dia de sua morte)

- Seus primeiros poemas foram publicados em 1943, no jornal A Notícia de São Luiz Gonzaga, assim como seu 1° Livro Galpão de Estância, em 1954.
- Seus ídolos na poesia foram: Laurindo Ramos (tio avô); Balbuino Marques da Rocha; João Vargas do Alegrete; Juca Ruivo e os insuperáveis Athaualpa Yupanki e José Hernandez (Martin Fierro).
- Foi um dos fundadores do CTG Galpão de Estância de São Luiz Gonzaga.
- Foi um dos fundadores do conselho coordenador do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), sendo presidente em 1959.
- Foi um dos fundadores da Estância da Poesia Crioula, grupo de poetas tradicionalistas que se reuniram no final dos anos 50.
- Considerado, juntamente com Noel Guarany, Cenair Maicá e Pedro Ortaça um dos “Troncos Missioneiros” fundadores do estilo musical chamado: Missioneiro; marca registrada da região das missões e do Rio Grande do Sul.
- Na infância, juventude e também na maturidade (sempre que possível) passava suas férias nas fazendas de seu avô Aníbal Caetano ou de seu tio Danton Ramos.
- Sonhava fazer medicina, sem terminar o ensino médio, tornou-se um especialista em remédios caseiros. Dizia que todo missioneiro tinha a obrigação de ser um curandeiro.
- Para alguns era considerado um artista polêmico, genioso, pois era radical ao defender seu ponto de vista. Dizia o que tinha que dizer; gostassem ou não.
- Certa feita ao ser comparado a um corvo, devido a seu gosto por roupas escuras, respondeu: “O corvo é uma ave higiênica, que limpa todos os campos”.
- Seu ultimo CD: Êxitos 1 (lançado dias após sua morte) estava pronto com mais de ano de antecedência; o lançamento havia sido adiado (a seu pedido) pois queria estar em melhores condições de saúde.
- Dentre seus companheiros e parceiros musicais destacam-se: Noel Guarany, Cenair Maicá, Pedro Ortaça, Lucio Yanel, Glênio Fagundes, Chaloy Jara e Gilberto Monteiro.
- Recebeu ao longo de sua carreira inúmera premiação e homenagens: destaque especial no prêmio Açoriano de Música (1997), troféu Simões Lopes Neto, maior honraria concedida pelo Governador do estado (1997), Troféu Laçador de Ouro (1997).
- Foi instituído em sua homenagem, na data de seu aniversário, 30 de Janeiro, o “Dia do Payador” com lei estadual de N° 11.676/01 de autoria do Deputado estadual João Luiz Vargas.
- Os Dois Lenços: devido à grande admiração por seu tio avô Laurindo Ramos, poeta e Coronel chimango da revolução de 1923 e 1924 e por influencia de seu tio Ruy Ramos, começou a usar o lenço branco, sendo apelidado desde moço de “chimango”. Muito mais tarde, na sua maturidade, ao morar em Porto Alegre, capital política dos gaúchos, passou a usar o lenço colorado.
- Em 2011 a Estância da Poesia Crioula, entidade a qual foi um dos fundadores e 3º presidente instituiu um concurso de poesia gauchesca com o seu nome.
-Era torcedor gremista, mas nem por isso deixou de assistir com amigos colorados a um GreNal na torcida do Internacional, como contou-me o seu primo-irmão Sr. Juca Ramos. Naquela feita, ao ser quase denunciado ao comemorar um gol do Grêmio, disfarçou e criativamente disse: “Dá-lhe seus frescos, nós estamos jogando mal, mas vamos virar essa porcaria...” (como se fosse um fanático torcedor colorado). O que motivou risadas entre os amigos que sabiam da verdade.
-Outra que me contou o Sr. Juca Ramos é a de quando Jayme era diretor da biblioteca pública, recebia seguidamente a visita dele, que na época era estudante e ia lá fazer pesquisas, em certas vezes Jayme reunia Sr. Juca e outros estudantes e encaminhava todos para sua sala para “estudar” a Divina Comédia de Dante Alighieri, ao cruzar pela secretária, uma idosa senhora, ele pedia para não ser importunado, pois precisava ensinar muitas coisas importantes à aqueles jovens estudantes, o que causava certa admiração na senhora, mal sabia ela que eles iam jogar truco....

Finalizando

Foi sempre a emoção que norteou o poeta.
A inspiração (cerne da sua poesia) saía abrindo caminhos, na frente da informação e da rima.
Esse era o grande diferencial de Jayme Caetano Braun:
“O POETA ERA TODO INSPIRAÇÃO!”

Por Vinícius Ribeiro - http://viniciusribeiroescultor.blogspot.com.br

Pesquisa
Vinícius Ribeiro 2° Semestre 2005.
Colaboração:
Senhora Gelsa Ramos de Moraes
Entrevistados:
Sr. Ataliba dos Santos e Sr. Juca Ramos.
Revisão final:
Sra. Aurora Ramos Braun(feita em 10 de fevereiro de 2009)
Fontes

– Cartório de registro civil de São Luiz Gonzaga
– Cartório de registro civil de Bossoroca
- Jornal Zero Hora (Porto Alegre)
- Jornal A Notícia (São Luiz Gonzaga)
- Outros